Com dez meses, o Natã ainda não fazia contato visual. Chorava muito, estranhava texturas na pele, não balbuciava “mamã” nem “papá”. Com um ano, parou de comer. A Vanessa anotava tudo. Levou as anotações à pediatra e ouviu que era normal, que ele era uma “criança de pandemia”, que precisava ir pra escola. Ouviu também que estava “caçando um diagnóstico” para o filho.

Quem enxergou foi a fonoaudióloga, na segunda sessão: “Alguém já falou com vocês sobre autismo?” Com um ano e oito meses, o Natã recebeu o diagnóstico de autismo, nível 3 de suporte. Hoje ele tem seis anos, é não verbal e convive com seletividade alimentar, hipersensibilidade oral e distúrbio do sono.

Neste episódio do Voz das Mães, gravado em parceria com o Núcleo Integrado ABA, Natália Lopes conversa com a Vanessa sobre o caminho até o laudo e sobre tudo o que veio depois.

Insistir não é exagero

Para a Vanessa, o diagnóstico foi alívio. Ela sentia que o filho precisava de muito e que não conseguia oferecer. O recado dela para outras mães é direto: é melhor pecar pelo excesso do que pela falta. E um atraso na fala, segundo ela, tem que ser investigado, não justificado com “cada criança tem seu tempo”.

A terapia não faz milagre sozinha

A neurologista do Natã fala em três pilares: clínica, escola e casa.

“Ele não deixa de ser autista quando chega em casa.”

Vanessa

Hoje o Natã faz terapia ocupacional, fono, psicopedagogia, psicologia ABA e fisioterapia, todos os dias. Ele se comunica apontando, puxando e, agora, aprendendo a usar um tablet de comunicação alternativa.

A comida é a maior preocupação

O Natã não mastiga e só aceita papinha com textura de purê. Ele tem interesse pela comida, pega, cheira, mas não aguenta meio grão de arroz na língua. A fono e a TO trabalham a dessensibilização oral aos poucos.

A mãe também precisa de cuidado

Vanessa fala sobre a culpa de sair sem o filho, sobre o luto diário pelas coisas que esperava viver e sobre a dificuldade de falar do que sente. A terapia, feita no próprio Núcleo enquanto o Natã está em sessão, virou um espaço dela.

Inclusão que não sai do Instagram

O Natã tem seis anos, pesa 25 kg e ainda usa fralda. A fralda infantil aperta, a adulta fica grande. Na busca por uma escola para a primeira série, Vanessa ouviu de quase todas que eram inclusivas, mas não trocavam fralda e exigiam o material da série. Depois de quatro negativas disfarçadas, encontrou uma escola menor que respondeu: “O Natã é muito bem-vindo”.

No fim da conversa, a Vanessa deixa um recado para quem acabou de receber o diagnóstico: acredite no seu filho e na sua intuição, porque você é a maior força dele.

Assista ao episódio completo: O que mudou na vida do meu filho depois do diagnóstico?

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